Sobre o Amor e a distância

28 de janeiro de 2007 7 Por juninho

Todos os amores épicos se abasteceram da distância. A saudade é uma mistura de amor e ausência, afinal, só se tem saudades do que é bom. Uma pessoa sábia me disse uma vez que apenas três coisas seriam capazes de findar um amor, o tempo, a distância e outro amor…Existe verdades neste pensamento, mas, a distância também pode ser amiga. Ela nos ajuda a purificar os sentimentos, comparar as faltas, sofrer com a ausência e assim valorizar a presença. O doutor Drauzio Varela, médico oncologista, em “Por um fio” um dos seus melhores livros, declarou para ele “A morte ser a ausência definitiva”..achei uma boa definição para morte, vindo de um atéu, como ele mesmo se declara… Eu pergunto deixamos de amar nossos pais, amigos, parentes ou amores depois que a morte os colhe para eternidade? Não, pelo contrário, se nos fosse dada a oportunidade de conversar mais uma vez, abraçar, ou lhes dizer o tamanho de nosso afeto, nossos sentimentos se mostrariam mais acesos do que nunca. A simples possibilidade dessa ausência definitiva nos apavora, permita-me usar os Canticos para afirmar uma impressão que eu tenho “a amor é mais forte do que a morte” embora com uma rima pobre este verso simples condensa uma sabedoria Oriental.. Por que nossos amores deveriam ser diferentes, só há ausência do físico, mais existe uma mística envolvendo tudo, como você pode estar longe de alguém que habita você…Não sei mais a vida moderna contaminou nosso amor, e batizou qualquer relacionamento diferente do tradicional fadado ao fracasso, criou um modelo de amor, onde não é aconselhável nem mesmo externar a beleza de se amar, parafraseando o Riobaldo, o jagunço filosofo do Guimarães Rosa.”amar é perigoso” talvez melhor “amar é proibido”