O socorro da coisas que não existem

Que seria de nós sem o socorro das coisas que não existem?Com estas palavras fortes, o filósofo, escritor e poeta francês, Paul Válery acendeu uma lanterna de alerta dentro de mim, esse era um tipo de pensamento que até algum tempo me passou despercebido, havia o visto algumas vezes, mas, não havia percebido completamente seu sentido, idéias são assim mesmo, ficam sobrevoando as nossas cabeças tentando ser compreendidas.
As coisas inexistentes são uma espécie de anestesia natural da vida, elas servem para amenizar o nosso sentimento de impotência diante dos fatos, se de alguma maneira não conseguimos alcançar os objetivos não fou culpa nosso foi obra do acaso, ou de coisas que necessariamente não existem, aceitar que o sucesso de alguma coisa não depende exclusivamente de nós.
Ao mesmo tempo serve para encher de esperança a vida.Que seria da vida se não pudessemos acreditar no improvável. Afinal, tirando o impossível, aquilo que resta mesmo que improvável pode ser a verdade, acreditava Sherlock Holmes e eu concordo. Esperança é uma palavra bonita, deriva de espera. Esperar é exatamente o que fazemos quando não fazemos nada, é a resignação da açao. Que seria de nós sem o socorro das coisas que as vezes não acreditamos nelas, as vezes até mesmo os mais incrédulos se cercam de uma devoção sincera, esperam que o provável não aconteça e se opere um milagre. Dante na sua obra prima a Divina Comedia em um momento cunha uma frase espetacular, na porta do inferno o protagonista lê. “Deixe lá fora toda a esperança”Essa é a minha definiçao favorita de inferno “o lugar onde não existe esperança”. Qualquer momento da sua vida em que se encotrar sem esperança de alguma forma você está no inferno. Lembre-se sempre dessa frase. Curiosamente algumas pessoasdizem não acreditar no inferno, eu pelo contrário acredioto, quando olho para criaturas sem esperança, quem perdeu a esperança também perdeu a alma para a sorte. Então:
Que seria de nós sem o socorro das coisas que não existem?