Sobre mover e viver

Mover-se é uma prerrogativa de quem está vivo, digo isto pois, diante de algum acontecimento que atente a vida torna-se latente esta afirmação, basta que se verifique “veja se mexendo, está vivo”. Aquilo que não se mexe pode ser considerado como morto. Mover-se e declarar-se vivo.

Eu tenho dificuldades as vezes de encarar as plantas como “seres vivos” poderia dizer que são seres que têm vida, mas, estar vivo e um pouco mais do que isto, elas ficam ali, paradas, estáticas e só se movem ao balanço do vento ou em alguma ação que basicamente não são delas, não digo isto das plantas carnívoras claro, aquelas que estão sempre prontas para abocanhar a presa. As plantas só me dão a sensação dessa sua vitalidade quando morrem, quando se passa por um local onde existia uma árvore e se pensa ela não esta mais ali, se moveu, era viva. Isso me intriga, os únicos sinas de vida de seres inertes é a própria morte.
O grande cientista inglês Sir Isaac Newton, pai da mecânica clássica definiu muitos dos critérios do que nos poderíamos classificar como movimento, mas de tudo que ele disse eu prefiro destacar o que podemos chamar de lei da inércia.

“Todo corpo continua em seu estado de repouso ou de movimento uniforme em uma linha reta, a menos que seja forçado a mudar aquele estado por forças imprimidas sobre ele.”

Vida para mim é isto imprimir força sobre os acontecimentos, não deixar que eles sejam como são, transformá-los na medida do nosso alcance, de modo que eles nos pareçam mais adequados, nós temos que nos cansarmos de descansar. Tomar nosso lugar no palco da vida ao invés de ficar aguardando nos bastidores. Existe muita diferença entre viver e se manter vivo. Mario Quintana dizia: Morrer “que me importa, o diabo e deixar de viver”.

Eu penso com o Fernando Pessoa, sobre quem se toma esta postura passiva em relação a sua vida, “Foi espectro de homem, não foi homem, só passou pela vida não viveu”.