Sobre a solidão

Ouvi uma definição recentemente sobre estar em paz , que viver em paz seria ver a noite chegar sem se angustiar. A noite certamente traz consigo a solidão, talvez porque a porta de casa, lugar onde adormecemos seja o fim dos encontros quando se vive sozinho, não necessariamente sozinho devido a falta de pessoas, mas, devido a falta de companhia, talvez por isso os softwares de conversação e as salas de bate papo estejam conquistando cada vez mais adetpos. Segundo Drumond a solidão não lhe despertava nenhum tipo de sentimento de vazio, falta ou ausência, mas, era para ele “um estar em mim”. Sócrates o fantástico filósofo ateniense, acreditava que se o desonesto soubesse as vantagens de ser honesto, seria honesto ao menos por desonestidade, e que fazer a coisa certa para ele era de tal forma vantajosa que todas as vezes que se lembrasse daquilo sentiria o mesmo prazer de quando a fizera. Certamente Drummond sentia isto, sentia prazer em estar consigo pois estar consigo era de alguma forma uma encontrar com a sua história e uma autoavaliação dos rumos que sua vida tomou, por isso, a solidão lhe parecia amiga. Uma parcela grande das população não sente prazer em mergulhar profundamente em sua vida desta maneira, assim, estar só e estar muito mal acompanhado. Certamente a solidão é uma velhinhas daquelas bem francas como um espelho, espelhos assustavam até mesmos os poetas, Jorge Luís Borges confessava ter horror a eles.
Talvez a solidão nos revele as impressões que temos de nós mesmos. Solidão e muito diferente de estar sozinhos, fazemos de tudo para não estarmos sozinhos, chegamos em casa, ligamos aT.V, lemos um livro, mp3, radio, internet, estamos de alguma forma desesperada procuramos as sombras das presenças. A solidão é uma espécie de julgamento final.