Alguma coisa sobre um número mágico…

 A razão para que o número 1089 seja considerado “mágico” decorre do fato de ser obtido da seguinte forma:

Dado um número qualquer composto de três algarismos diferentes – abc -, inverta esse número, no sentido de trás para frente – cba – e subtraia o menor do maior. Ao resultado dessa subtração – representada por xyz -, onde se deve considerar sempre um número de três algarismos, mesmo quando a diferença na casa das centenas é zero, some o seu inverso – zyx – e eis que surge “fagueiro” o número 1089.

O objetivo deste post é demonstrar porque isso sempre ocorre. Mas, antes alguns exemplos para que não restem eventuais dúvidas quanto ao enunciado.

Exemplo 1: Seja 367 um número escolhido, que escrito de trás para frente é 763. Subtraindo o menor do maior obtemos:

763 – 367 = 396

E somando o resultado obtido ao seu inverso de trás para frente:

396 + 693 = 1089

Exemplo 2: Agora tome o número 675. Utilizando-se dos mesmos procedimentos vem:

675 – 576 = 099 => 099 + 990 = 1089

Observe que no exemplo acima o zero a esquerda – em 099 – deve ser considerado para que o resultado seja o número “mágico” 1089.

Entre as incertezas da verdade

Vivemos sob o reino das certezas, e é esse legado que a ciência moderna tem deixado sobre o mundo. Nunca soubemos mais sobre mundo do que42-20359308 sabemos agora. Sabemos de que elementos são constituídos todo e qualquer material encontrado no planeta, quantos anos tem o universo e que o mesmo está em expansão acelerada. Sabemos que existem 17 bilhões de insetos para cada pessoa. Mas, será que ser conhecedor de tudo isso realmente deve ser motivo de tanto orgulho.
Ora, as nossas certezas são currais onde as preocupações ficam presas. É que presas elas não oferecem perigo,  não saber é muito angustiante. Um turbilhão de questionamentos  inquieta nossa vida tão frágil. A que horas o ônibus vai passar? Eu aplico na bolsa ou compro imóveis? Fazemos uma viagem ou nos divorciamos?
Contudo, essa mesma certeza nos engessa, nos algema em eternas rotinas, afinal, por que mudar se desse modo tudo vai terminar bem? As certezas nos amaldiçoam ao criar padrões para o nosso cotidiano, fazendo da nossa vida uma equação matemática chata.
Saber, ter certezas, nos faz sentirmos seguros e nos ajudam a fazer planos. Certezas nos deixam navegar num oceano calmo livres das tempestades da dúvida. Certamente um homem cheio de certezas dorme bem melhor à noite, mas, um homem cercado de dúvidas vive bem melhor durante o dia.
Em 1927, Werner Heisenberg, o controverso físico alemão, talvez o maior depois de Einsten, postulou o “Princípio da Incerteza”, uma idéia segundo a qual é impossível medir simultaneamente e com precisão absoluta a posição e a velocidade de uma partícula, isto é, a determinação conjunta do momento e posição de uma partícula. Este princípio teve repercussão filosófica enorme, pois rompia com a idéia determinística de mundo e nos introduzia num mundo probabilístico, onde acontecimentos tinham apenas grandes possibilidades de se realizarem, mas, era impossível sermos envolvidos pela certeza. Heisenberg nos devolveu a emoção de viver. Nos colocou de novo no mesmo sentimento do homem das cavernas, nos trouxe de volta a vocação humana de navegarmos num mar de imprecisões e erros, nos chamou de volta ao nosso corpo o espírito do qual nos tornou o que somos, qual seja, um ser atormentado pelo imprevisível.
Ter dúvidas nos move, nos faz buscar soluções. Ter dúvidas faz criar caminhos. Duvidar faz a nossa vida miserável e monótona valer a pena. Quem tem dúvidas não se paralisa. Sócrates tinha horror a certezas, por isso sempre declarava que a única coisa que sabia e que não sabia nada. Não me estranha o oráculo de Delfos tê-lo declarado o mais sábio dos homens.
A dúvida nos premia com pureza de intenções, pois sem certezas o espírito julga sem pressões ou preconceitos. O Humberto Gessinger, líder e letrista da banda “Engenheiros do Hawaii” pensa de forma semelhante a minha, pois escreveu em uma das suas canções. ” Eu posso estar correndo pro lado errado, mas a dúvida é o preço da pureza e é inútil ter certeza.”
Termino este texto com muitas dúvidas sobre escrever mais sobre isto. Tenho uma certeza, a mesma de Descartes , o pai do método científico,  esse tipo de questionamento lhe assombrava. “A dúvida nos possibilitava um núcleo de certeza… Se duvido, penso”

Sobre as vantagens de se esquecer…..

Funes, o memorioso, é um personagem fantátisco de um conto de Borges. Ele tinha uma habilidade certamente incomum, era capaz de se lembrar de tudo o que experenciava sem se esquecer de nenhum detalhe. No conto Funes trata de enumerar as imensas vantagens que obtivera com esta sua impressionante capacidade de lembrar. As vantagens de se lembra são realmente muitas, mas, e as vantagens de se esquecer?
A memória se esquece aquilo que não lhe parece fundamental, é importante esquecer para não sobrecarregar a nossa consciência, lembrar-se de tudo seria uma tortura, seria trabalho extra, seria se sobrecarregar. Ja imaginou se fosse necessário se lembrar de respirar a todo momento, viveríamos eternamente encarregados de encher e esvaziar nossos pulmões, ao menos a problemática da nossa angustia existencial estaria resolvido. O sentido da vida seria basicamente respirar, mas, o corpo respira automaticamente e nos ficamos livres para fazermos o que quisermos. O que a consciência esquece o corpo faz com maestria, esquecer nos faz viajar com menos carga, mais leves, isto faz de nós pessoas descansadas e pessoas descansadas são mais felizes. O cansaço é como uma mosquinha que fica sobrevoando a nossa cama enquanto tentamos dormir, nos tira a paz.
Esquecer é uma tarefa do inconsciente, somos certamente incompetentes para esquecer, conscientemente não podemos escolher ao menos com facilidade esquecer, isto é tarefa da inconsciência. Não basta dizer quero esquecer isto, quanto mais fugimos de memórias supostamente falecidas mais o seu fantasma insiste em nos assombrar. Gostaria de esquecer a primeira vez que beijei a minha namorada, afinal, nunca mais saberei o gosto real do que foi nosso primeiro beijo, disso só carregarei lembranças, mas, as melhores lembraças dos nossos primeiros olhares não são nossos primeiros olhares. Sinto uma dor imensa de nunca reviver ao menos como experiência contreta todas as maravilhosas sensações que se passaram no primordio, não que o que se seguiu não foi bom, mas, não é a primeira vez. Nunca poderei passar no vestibular pela primeira vez, pois eu carrego a maldição de já tê-lo feito uma vez. Assisti um filme uma vez, “Como se fosse a primeira vez”era a historia de uma garota que sofrera um acidente de carro que lhe causou sequelas, ela não era capaz de memorizar nada do que acontecera no dia posterior ao acidente, dia do seu aniversário, assim todos os dias para sempre eram seu aniversário. Desse modo seu par romântico no filme tinha a sublime tarefa de conquistá-la cada dia como se fosse a primeira vez, o esquecimento eternizou sua primeira vez, esquecer nos protege da rotina.
Borges termina a narração do conto do memorioso com a seguinte consideração a respeito de Funes.
“Suspeito, contudo, que não era muito capaz de pensar. Pensar é esquecer diferenças, é generalizar, abstrair. No mundo abarrotado de Funes não havia senão detalhes, quase imediatos.”
Será precisa criar faculdades para aprender a desaprender, o Manoel Barros enxerga mais longe ele sabe que todos os caminhos levam a ignorância, o Murilo Mendes também faz a mesma pergunta. Não seria necessário no futuro criar faculdades para a ignorância?
Esquecer nos liberta, nos tira angustias, nos introduz no santuário da paz. A agonia de nos lembrarmos é imensa, embrar é reconhecer padrões, lembrar é prever repetições, lembrar é nos prendermos as algemas cíclicas do tempo. Acho que por isto que na velhice começamos a nos esquecer de muits coisas, na velhice nosso corpo fica sábia ele sabe que é preciso se concentrar naquilo que é importante “VIVER”.

O socorro da coisas que não existem

Que seria de nós sem o socorro das coisas que não existem?Com estas palavras fortes, o filósofo, escritor e poeta francês, Paul Válery acendeu uma lanterna de alerta dentro de mim, esse era um tipo de pensamento que até algum tempo me passou despercebido, havia o visto algumas vezes, mas, não havia percebido completamente seu sentido, idéias são assim mesmo, ficam sobrevoando as nossas cabeças tentando ser compreendidas.
As coisas inexistentes são uma espécie de anestesia natural da vida, elas servem para amenizar o nosso sentimento de impotência diante dos fatos, se de alguma maneira não conseguimos alcançar os objetivos não fou culpa nosso foi obra do acaso, ou de coisas que necessariamente não existem, aceitar que o sucesso de alguma coisa não depende exclusivamente de nós.
Ao mesmo tempo serve para encher de esperança a vida.Que seria da vida se não pudessemos acreditar no improvável. Afinal, tirando o impossível, aquilo que resta mesmo que improvável pode ser a verdade, acreditava Sherlock Holmes e eu concordo. Esperança é uma palavra bonita, deriva de espera. Esperar é exatamente o que fazemos quando não fazemos nada, é a resignação da açao. Que seria de nós sem o socorro das coisas que as vezes não acreditamos nelas, as vezes até mesmo os mais incrédulos se cercam de uma devoção sincera, esperam que o provável não aconteça e se opere um milagre. Dante na sua obra prima a Divina Comedia em um momento cunha uma frase espetacular, na porta do inferno o protagonista lê. “Deixe lá fora toda a esperança”Essa é a minha definiçao favorita de inferno “o lugar onde não existe esperança”. Qualquer momento da sua vida em que se encotrar sem esperança de alguma forma você está no inferno. Lembre-se sempre dessa frase. Curiosamente algumas pessoasdizem não acreditar no inferno, eu pelo contrário acredioto, quando olho para criaturas sem esperança, quem perdeu a esperança também perdeu a alma para a sorte. Então:
Que seria de nós sem o socorro das coisas que não existem?

Sobre mover e viver

Mover-se é uma prerrogativa de quem está vivo, digo isto pois, diante de algum acontecimento que atente a vida torna-se latente esta afirmação, basta que se verifique “veja se mexendo, está vivo”. Aquilo que não se mexe pode ser considerado como morto. Mover-se e declarar-se vivo.

Eu tenho dificuldades as vezes de encarar as plantas como “seres vivos” poderia dizer que são seres que têm vida, mas, estar vivo e um pouco mais do que isto, elas ficam ali, paradas, estáticas e só se movem ao balanço do vento ou em alguma ação que basicamente não são delas, não digo isto das plantas carnívoras claro, aquelas que estão sempre prontas para abocanhar a presa. As plantas só me dão a sensação dessa sua vitalidade quando morrem, quando se passa por um local onde existia uma árvore e se pensa ela não esta mais ali, se moveu, era viva. Isso me intriga, os únicos sinas de vida de seres inertes é a própria morte.
O grande cientista inglês Sir Isaac Newton, pai da mecânica clássica definiu muitos dos critérios do que nos poderíamos classificar como movimento, mas de tudo que ele disse eu prefiro destacar o que podemos chamar de lei da inércia.

“Todo corpo continua em seu estado de repouso ou de movimento uniforme em uma linha reta, a menos que seja forçado a mudar aquele estado por forças imprimidas sobre ele.”

Vida para mim é isto imprimir força sobre os acontecimentos, não deixar que eles sejam como são, transformá-los na medida do nosso alcance, de modo que eles nos pareçam mais adequados, nós temos que nos cansarmos de descansar. Tomar nosso lugar no palco da vida ao invés de ficar aguardando nos bastidores. Existe muita diferença entre viver e se manter vivo. Mario Quintana dizia: Morrer “que me importa, o diabo e deixar de viver”.

Eu penso com o Fernando Pessoa, sobre quem se toma esta postura passiva em relação a sua vida, “Foi espectro de homem, não foi homem, só passou pela vida não viveu”.

Sobre a solidão

Ouvi uma definição recentemente sobre estar em paz , que viver em paz seria ver a noite chegar sem se angustiar. A noite certamente traz consigo a solidão, talvez porque a porta de casa, lugar onde adormecemos seja o fim dos encontros quando se vive sozinho, não necessariamente sozinho devido a falta de pessoas, mas, devido a falta de companhia, talvez por isso os softwares de conversação e as salas de bate papo estejam conquistando cada vez mais adetpos. Segundo Drumond a solidão não lhe despertava nenhum tipo de sentimento de vazio, falta ou ausência, mas, era para ele “um estar em mim”. Sócrates o fantástico filósofo ateniense, acreditava que se o desonesto soubesse as vantagens de ser honesto, seria honesto ao menos por desonestidade, e que fazer a coisa certa para ele era de tal forma vantajosa que todas as vezes que se lembrasse daquilo sentiria o mesmo prazer de quando a fizera. Certamente Drummond sentia isto, sentia prazer em estar consigo pois estar consigo era de alguma forma uma encontrar com a sua história e uma autoavaliação dos rumos que sua vida tomou, por isso, a solidão lhe parecia amiga. Uma parcela grande das população não sente prazer em mergulhar profundamente em sua vida desta maneira, assim, estar só e estar muito mal acompanhado. Certamente a solidão é uma velhinhas daquelas bem francas como um espelho, espelhos assustavam até mesmos os poetas, Jorge Luís Borges confessava ter horror a eles.
Talvez a solidão nos revele as impressões que temos de nós mesmos. Solidão e muito diferente de estar sozinhos, fazemos de tudo para não estarmos sozinhos, chegamos em casa, ligamos aT.V, lemos um livro, mp3, radio, internet, estamos de alguma forma desesperada procuramos as sombras das presenças. A solidão é uma espécie de julgamento final.

Sobre a Igrejinha da Pampulha

A arte me comove, me transforma eu me sinto em êxtase. Um encontro com uma obra de arte é uma espécie de nirvana, uma experiência mística. É exatamente isto que acontece comigo quando vejo a Igreja de São Francisco (Igrejinha da Pampulha), ela é um encontro com a história. É como se tomasse um café com JK ou Portinari. Eu gosto das linhas flexíveis de Niemeyer aquelas que ele disse preferir por parecer com as montanhas de minas, ou como o curso do rio do nosso Brasil. A igrejinha pra mim é um encontro comigo mesmo. Me levam as lágrimas. A beleza é mais que um prêmio ela é um benesse divina, uma benevolência divina. A arte é a demonstração da existência de Deus, dizia o Rubem, afinal onde se guardaria tanta beleza. Vicent Van Gogh, o fantástico pintor holandês disse algumas palavras que me soaram como uma descoberta fantástica, ” Sem o belo o mundo seria horrível”. Embora pareça uma ingênua expressão esta frase me insunua um desabafo, uma pontinha de medo e uma sentença.
Que não exista mal que a presença do belo não consigua transformar. A Igrejinha é um pouco disto pra mim, pudesse eu agradeceria pessoalmente a JK pela excelente idéia, acho que devia ser imortalizado mais por esta idéia que por qualquer outra.

Sobre o Amor e a distância

Todos os amores épicos se abasteceram da distância. A saudade é uma mistura de amor e ausência, afinal, só se tem saudades do que é bom. Uma pessoa sábia me disse uma vez que apenas três coisas seriam capazes de findar um amor, o tempo, a distância e outro amor…Existe verdades neste pensamento, mas, a distância também pode ser amiga. Ela nos ajuda a purificar os sentimentos, comparar as faltas, sofrer com a ausência e assim valorizar a presença. O doutor Drauzio Varela, médico oncologista, em “Por um fio” um dos seus melhores livros, declarou para ele “A morte ser a ausência definitiva”..achei uma boa definição para morte, vindo de um atéu, como ele mesmo se declara… Eu pergunto deixamos de amar nossos pais, amigos, parentes ou amores depois que a morte os colhe para eternidade? Não, pelo contrário, se nos fosse dada a oportunidade de conversar mais uma vez, abraçar, ou lhes dizer o tamanho de nosso afeto, nossos sentimentos se mostrariam mais acesos do que nunca. A simples possibilidade dessa ausência definitiva nos apavora, permita-me usar os Canticos para afirmar uma impressão que eu tenho “a amor é mais forte do que a morte” embora com uma rima pobre este verso simples condensa uma sabedoria Oriental.. Por que nossos amores deveriam ser diferentes, só há ausência do físico, mais existe uma mística envolvendo tudo, como você pode estar longe de alguém que habita você…Não sei mais a vida moderna contaminou nosso amor, e batizou qualquer relacionamento diferente do tradicional fadado ao fracasso, criou um modelo de amor, onde não é aconselhável nem mesmo externar a beleza de se amar, parafraseando o Riobaldo, o jagunço filosofo do Guimarães Rosa.”amar é perigoso” talvez melhor “amar é proibido”

o Sofrimento nos ensina…

Aprendi de maneira concreta, aquilo que já sabia de maneira abstrata…Na verdade, isto não me era uma lição desaprendida, eu certamente sabia. Para isto que servem as cicatrizes, elas tornam viva um passado esquecido…Eu tenho uma cicatriz desde garoto, fruto de uma das minhas travessuras…vez ou outra olho e me lembro, e repito pra mim mesmo: toma jeito Junior…Albert Camus decretou em um de seus livros mais famosos…(se não me engano, A Peste), que o sofrimento é um ótimo professor…eu concordo com ele, as lições que mais nos ficam gravadas são exatamente estas. Algumas pessoas chegam a se traumatizar com certas situações…Não andam mais de avião, não comem certo tipo de comida, não saem sozinha a noite…. Uma boa pedagogia de ensino que temos é o trauma …hehehheheh em suma, é uma lição pra vida inteira….O sofrimento não só nos ensina, ele nos torna mais preparados pra enfrentar situações…Dezenas de índios morreram na invasão do Brasil  atingidos pelas centenas de doenças viróticas (sempre quis usar esta palavra) trazidas pelos portugueses, como a gripe por exemplo…Eles eram capazes de comer coisas que não passavam pela vigilância sanitária, lutar com animais selvagens, ser picados por serpentes, mas, não resistiam a um simples resfriado…O sofrimento na verdade é uma espécie de ciência…E os experimentados nela chegam mais longe na vida….mas, apesar de tudo…Vejo pela frente um BELO HORIZONTE.