Zero, origem e importância

O matemático C. K. Hogben, em seu livro Mathematics for the Million, procura provar que o símbolo 0 foi inventado na Índia, entre 100 a.C. e 150 d.C. Originalmente não foi uma descoberta matemática, na acepção académica da palavra, mas sim uma descoberta eminentemente prática. O hindu chamava o zero de sunya, isto é, vazio. A identificação do 0 com o conjunto vazio, o nada, ou zero, foi consumada posteriormente.
Os hindus, entretanto, não foram o único povo a inventar o zero. Muitos séculos mais tarde, mas independentemente de qualquer  inspiração oriental, o zero foi empregado pelos maias, cuja civilização  floresceu na América cerca de 500 anos d.C. Estes indígenas americanos empregavam um arranjo vertical, de símbolos
numerais, análogos aos símbolos chineses, para as inscrições de certas datas em seus monumentos.
O caráter momentoso da descoberta do zero é, hoje, universalmente reconhecido. Laplace (1749-1827), o notável astrônomo e matemático francês, refere-se ao zero num trecho importantíssimode sua obra.

E escreve:
Devemos à Índia o engenhoso método de exprimir todos os números por meio de dez símbolos, cada qual portador, tanto de um valor de posição, como de um valor absoluto, invenção notável, mas tão simples, que nem sempre lhe reconhecemos o mérito. Não obstante, a esta mesma simplicidade, à imensa facilidade que trouxe a todos os cálculos devemos o achar-se a Aritmética à vanguarda de todas as grandes invenções. Só podemos apreciar condignamente o mérito desta descoberta, lembrando-nos que escapou ao génio de Arquimedes, de Apolônio e de todos os matemáticos da Antiguidade Clássica. ..
O matemático francês Mareei Boll acha que a descoberta do zero (como operador) foi uma das descobertas mais notáveis da História.
Em seu livro As Etapas da Matemática (Lisboa, 1950, pág. 15) escreve Marcel Boll:
O zero é um operador, pois que cada zero, junto à direita de qualquer número inteiro (não nulo), permite decuplicá-lo  instantaneamente. O monge de Auvergne, Gcrbert, aprendeu a numeração dos árabes, quando da sua estada em Córdova (980), e, forçando a adoção desse sistema, fêz trabalho extraordinariamente
fecundo, pois mais tarde, quando se tornou Papa (Silvestre II), pôde fazer uma eficiente expansão de suas ideias. Com os recursos de que dispomos hoje, esta descoberta toma as proporções de um acontecimento gigantesco, que nem de longe poderá ser posto em paralelo com os incidentes de consequências restritas, que se batizam fatos históricos (a rivalidade Aníbal-Cipião, a tomada de Constantinopla pelos turcos etc). Sem a numeração de posição, a negra noite da Idade Média jamais teria deixado a face da Terra.

Maravilhas da Matemática

Malba Tahan

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