Professor Júnior

Siga-me no Twitter

Páginas

Twitter

Twitter Updates

    Livros que li e recomendo

    Comentários Recentes

    • Dálete 6ª B comentou: Professor, eu amei isso! Estou louca para chegar de viagem e contar ao senhor os testes que eu...
    • Francis comentou: Ótimo texto Júnior! Muita clareza e simplicidade ao se expressar. Grande Abraço!

    Tags

    Minha pequena Ditadura das novidadesSubscribe Assinar o Feed

    É madrugada, deveria estar dormindo, é o que a maioria das pessoas fazem agora. Sinceramente fazer o que a maioria das pessoas fazem é coisa que nunca me encantou. Ficar com a maioria é estar amordaçado ao convencional. Não suporto42-19545322rotinas, preciso de coisas novas, minha liberdade não admite algemas. Estar com a maioria pelo menos nos sistemas democráticos significa vencer, mas, nem mesmo o sabor doce das vitórias me ilude. Não que seja íntimo das derrotas, pelo contrário, minha vida é a demonstração clara que derrota alguma pode me vencer.

    O fato é que vivi quase toda minha vida fazendo coisas que deram errado, me orgulho disto, e que me tornando amigos dos meus erros, eles me educaram para errar, penso que isto tenha sido a coisa mais certa que fiz na vida, preparar-me para errar.

    Preparar-me para errar foi a forma que dominei a minha necessidade pelo original. Pessoas que temem errar não arriscam, não tentam coisas novas, ficam aprisionados ao passado. A criatividade nasce desse destemor do fracasso, quem teme fracassar, cumpre rotinas, segue manuais, faz da vida uma receita de bolo, não cria. Dar à luz coisas novas e colaborar com Deus na sua tarefa em nos presentear com a diversidade, é trabaho de quem não tem medo do fracasso e compromisso com o eternamente novo. Habita em mim uma obsessão, de deixar impregnado nas coisas um cheiro de originalidade.

    Se existe uma coisa que mais nos torna humanos é a capacidade de inventar e reinventar. Coisas nunca sonhadas, desejos que possam voar, diálogos em línguas que não existiam ainda, amores pescados vagando pelos ares, lágrimas por dores que não existem . Eu penso como o Pessoa “o inventor é um fingidor”.

    Eu sou como o Manoel de Barros

    “Não agüento ser apenas um sujeito que abre portas, que puxa válvulas, que olha o relógio, que compra pão às 6 horas da tarde, que vai lá fora, que aponta o lápis, que vê a uva etc. etc.
    Perdoai.
    Mas eu preciso ser Outros.”

    Pessoas diferentes dizendo as mesmas frases significam coisas novas. Eu sou um obsecado pelo sempre novo. A definição de paraíso para mim seria isto “uma maravilha sempre nova, instante a cada instante para toda eternidade”. A palavra evangelho significa boa nova, só um ser divino usaria uma palavra destas, afinal, uma coisa começa a deixar de ser boa na medida que deixa de ser nova.

    Esta eterna novidade, que o Pessoa conclama, faz de nós seres novos. Os atores medievais eram impedidos de serem enterrados em cemitério públicos, acreditava-se que eles só poderiam ter pactos demoníacos, afinal, como alguém poderia ser ele mesmo e ao mesmo tempo ser “Outros”.

    Este é meu desejo, queria um cemitério que fosse só meu , “e que eu preciso ser outros …”





    Comentários1 Comentário

    Deixe um comentário

    Requerido
    Requerido (Não será publicado)
    Opcional