minha velhice atual

Tenho um pacto com as letras, eu não as busco desesperadamente nem elas se escondem de mim, eventualmente, o destino cuida de nos reunir com propósitos comuns. Escrevo para me vingar da morte, para fazer pirraça com ela, sei que um dia vou desaparecer deste mundo, mas, me nego a deixar desaparecido para sempre meus sentimentos, pensamentos, ideias, dores, alegrias e todos os retalhos de minha vida. Escrevo também para parar de sofrer, as letras são um anestésico, um alívio para essa dor de viver, esta angustia, este inconformismo com o presente e dessa desesperança de um futuro inexistente.

Não possuo ainda a sabedoria da velhice, mas, me livrei de algumas ingenuidades da juventude. O fato que se soubesse que o passar dos anos me traria tamanha felicidade queria ter envelhecido antes. Me sinto mais feliz hoje do que quando era mais jovem, talvez porque quando eu era jovem não me encontrava tanto em mim quanto agora, não sentia que o que eu faço é mais eu agora, me sinto mais completo, me vejo refletido no meu trabalho e cada vez mais apaixonado por ele, minhas ações se aproximaram mais das minhas palavras e embora ainda seja uma contradição, me sinto mais leve e verdadeiro. Encontrei ressonância nos versos de um antigo pintor Japonês Hokusai (1760-1849)

Desde os seis anos tenho mania de desenhar a forma das coisas. Aos cinquenta anos publiquei uma infinidade de desenhos. Mas tudo o que produzi antes dos setenta não é digno de ser levado em conta. Aos 73 anos aprendi um pouco sobre a verdadeira estrutura da natureza dos animais, plantas, pássaros, peixes e insetos. Com certeza, quando tiver oitenta anos, terei realizado mais progressos, aos noventa penetrarei no mistério das coisas, aos cem, por certo, terei atingido uma fase maravilhosa e, quando tiver 110 anos, qualquer coisa que fizer, seja um ponto, seja uma linha, terá vida.

Me sinto feliz com minha idade ainda por um motivo, cada dia que passa tenho mais coisas para sentir saudade, o Riobaldo aquele jagunço filosofo do Guimarães Rosa, dizia que toda saudade é uma espécie de velhice, pensando assim acho que já nasci velho, pois eu sou doutorado em saudades, sinto saudades dos finais de tarde vermelhos de Minas, do colo da mamãe, de encontrar meus melhores amigos, do café do fogão de lenha da vovó, das brincadeiras na rua de casa.

Não me preocupo em envelhecer, talvez tudo mude em algum momento, na verdade as vezes até aguardo envelhecer com certa ânsia porque descobri que só os velhos voltam a ser crianças.

poesia pra quem sabe quem é “DONA”

Escorreu três  gotas de esperanças do meu dia

Repeti como prece algumas palavras antigas

Alguns sorrisos lúcidos nos seus passos vivos

Uns goles de álcool nas minhas feridas

A seiva forte banha nosso inverno

E o imediato é o meu contrário

E a sua voz constante e indefinida

Me faz sonhar e lê o meu diario

Eu invento verdades que não se apresentaram

E tudo em nós parece combinar

Até os nossos pequenos descuidos acidentais

Ate nossa ânsia infinita de amar

Se eu me pareço com o espelho seu

É que a sua luz se espalha em mim

tocar sua mão transporta minha paz

A qualquer lugar que more no sem fim

Com a primeira letra do seu nome justo

Eu só consigo escrever noites

E algum palácio num planalto branco

Faz da saudade um milhão de açoites

as vezes a felicidade é inevitável

Sempre acreditei em um determinismo dos nossos atos, desconfiou de signos, sorte e destino. No fundo estas crendices ou supertições são maneiras de esconder os nossos erros e disfarçar nosso comodismo. Uma forma de isentar nossa consiência do peso da culpa.

Construir sua casa sobre a rocha é um sábio conselho evangêlico, ou seja, estabelecer sua vida sobre alicerces firmes, se apoiar sobre uma base sólida e coesa, e poder viver em paz com a certeza de não ser surpreendido por alguma adversidade. Não é possivel simplesmente enfiar a mão no seu bolsinho da felicidade e tirá-la para passarem um final de semana juntos, ela é orgulhosa, quer ser conquistada e  quer que seja por toda a vida.

Aprendi de maneira concreta o que eu já sabia de forma teórica, quando se constroi a casa sobre a rocha, nada nem ninguem pode derrubá-la, o Prático um dos personagens da historia dos três porquinhos comunga dessa mesma minha idéia.

A felicidade é filha da coerência, fruto da verdade e da entrega aos seus projetos de amor e bondade. Nunca fui mais certo de uma coisa do que sou agora, quando se é coerente é inevitável não ser feliz. É inevitraável porque a felicidade tem uma verdadeira atração pela coerência.Acho realmente  impossível não ser feliz, quando somos honestos, verdadeiros, pacíficos, dispostos a abrir mão de certas pecuínhas que nos apegamos e principalmente quando não temos medo de correr atrás de nossos sonhos.

Posso viver mil anos, mas talvez só o dia de  hoje me bastaria.

meu colete a prova de medo

42-22071169Deixar de viver  sob  a batuta do medo é  a benção desejada por todo homem. O medo nos induz a insegurança, a insegurança nos leva a solidão, a solidão nos aprisiona, muda nosso endereço para um labirinto onde todos os caminhos levam pra longe de nós mesmo. Talvez , por isto,  aprendemos a marcar o mundo com a nossa obsessão em tornar seguro, carimbar nossas ações com o selo real do anti- medo. As pegadas da segurança são exatamente a assinatura da raça humana.

Nascemos e morremos tendo o medo como companheiro,  medo da dor, da solidão, medo da morte. O  medo da morte deve ser ressaltado ele nos obriga a gastar a vida tratando- a como um compromisso que gostaríamos de faltar. Mario Lago dizia “ter um pacto de convivência pacifica com morte,  nem ela me persegue e nem eu fujo dela um dia a gente se encontra” e foi assim que se encontraram um dia, e acertaram os ponteiros, o que falaram naquele dia, que também pode ter sido noite,  provavelmente  nunca saberemos.

Aprofundei-me também em criar minhas seguranças, a me proteger dos medos, da solidão vazia, aquela velhinha torturadora que mora numa casa velha e suja ao lado da nossa, me protegi da maneira mais sutil e simples, eu fiz amigos. Se me perguntasse qual a coisa mais significante que já fez  na vida eu diria, eu tenho um amigo. Nos momentos mais difíceis de minha vida foi a certeza de ter amigos,  pessoas que me estenderiam a mão, pessoas que não me deixariam sucumbir, que mesmo que tudo desse errado ainda existira um oásis, foi  o que me manteve de pé, o que me assegurou  ficar de pé e vencer as batalhas que venci,  e também a aceitar as derrotas que tive. Um amigo é um desespero tranqüilo é a minha declaração de bens.

Deitar e noite e saber que em algum lugar alguém pensa em nós é como fincar uma bandeira no deserto, o Kalil Gibran usa este símbolo, ela vai tremular aconteça o que aconteça, e quem olhá-la, carregará consigo a lembrança da sua insistência em trazer presente um objeto ausente, a inconformidade do abandono.   Alguém diante do qual podemos ser  vulneráveis, segurar a mão “sem medo” algum de ser deixado a mercê das severas leis da gravidade. Ter amigos foi a  maneira que encontrei de olhar no fundo dos olhos de Deus. Exupéry dizia no pequeno príncipe, ” que  gostava de olhar as estrelas a noites, por que em alguma delas morava um principezinho, que tinha uma rosa e 3 vulcões” por isto o céu inteiro era especial.

É exatamente por isto que me sinto especial, eu tenho alguém por que vale a pena continuar vivendo, eu tenho um amigo.

Este é um belo poema matemático. Mostra como a beleza de um poema e a disciplina das equações são totalmente missíveis. Como o amor é ao mesmo tempo uma benção e uma maldição que a todos atormenta com sua alegria, o fato que tudo se transforma ao toque do amor.

“Às folhas tantas do livro de matemática,42-17720056
um quociente apaixonou-se
um dia doidamente por uma incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável e
viu-a, do ápice à base.
Uma figura ímpar olhos rombóides,
boca trapezóide,
corpo ortogonal, seios esferóides.

Fez da sua uma vida paralela a
dela até que se encontraram no infinito.
“Quem és tu?” – indagou ele com ânsia radical.
“Eu sou a soma dos quadrados dos catetos,
mas pode me chamar de hipotenusa”.

E de falarem descobriram que eram
o que, em aritmética, corresponde a almas irmãs,
primos entre-si.
E assim se amaram ao quadrado
da velocidade da luz
numa sexta potenciação traçando
ao sabor do momento e da paixão retas,
curvas, círculos e linhas senoidais.
Nos jardins da quarta dimensão,
escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidianas
e os exegetas do universo finito.

Romperam convenções Newtonianas e Pitagóricas e, enfim,
resolveram se casar, constituir um lar mais que um lar,
uma perpendicular.
Convidaram os padrinhos:
o poliedro e a bissetriz, e fizeram os planos,
equações e diagramas para o futuro,
sonhando com uma felicicdade integral e diferencial.

E se casaram e tiveram uma
secante e três cones muito engraçadinhos
e foram felizes até aquele dia em que tudo, afinal, vira monotonia.
Foi então que surgiu o máximo divisor comum,
frequentador de círculos concêntricos viciosos,
ofereceu-lhe,a ela, uma grandeza absoluta
e reduziu-a a um denominador comum.

Ele, quociente percebeu que com ela
não formava mais um todo, uma unidade.
Era o triângulo tanto chamado amoroso desse problema,
ele era a fração mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a relatividade
e tudo que era espúrio passou a ser moralidade,
como, aliás, em qualquer Sociedade …”

Millôr Fernandes

Alguma impressão que tenho sobre o amor

Amar é ser fiel a quem nos trai, o Nelson Rodrigues é sempre sarcástico, ele coloca o dedo na nossa ferida, afinal, a fidelidade e os amores estão sempre em uma suposta guerra eterna.42-18736444

Nunca vi uma definição de amor que seja mais forte, mais exigente e mais verdadeira. Um sentimento salvo de qualquer condicionalidade, salvo da armadilha da reciprocidade. Acredito que amar seja exatamente isto, uma lealdade incondicional, um comprometimento cego .

Estas são espécies de definições que tocam nossa alma. Afinal, em um contrato, quando acontece o descumprimento de uma das partes a outra fica automaticamente desobrigada de manter a sua. Amar é o reverso de tudo que julgamos normal ou natural, é a contestação de todas as convenções. É a sabotagem dos planos feitos para ninar nosso egoísmo, é uma inversão de valores. Uma luta contra os mecanismos de auto-sobrevivências que imperam por milênios na existência humana. Amar não é apenas ser fiel a alguém, é ser fiel a um sentimento, um sentimento que se personifica.

Amar é mesmo diante de alguns deslizes do outro, você não pensa em se vingar e não o humilhe com exigências de desculpas, é quando os erros dos outros não comprometem os projetos que fizeram juntos. Amar é compreender plenamente a Teoria Heliocêntrica de Copérnico, existe outra coisa em torno do o qual meu mundo gira. . Amar é não se resignar as limitações, porém sem que isto comprometa a admiração infinita que sem tem pelo outro.
Fidelidade e amor parecem ser palavras quase sinônimas para mim, será que o Nelson também não pensava isto? Talvez  toda a sua apologia da infidelidade não fosse um disfarce?

Acredito que toda verdade tem um núcleo de amor e todo amor pode ser tomado com um modelo atômico de milhares de afetos girando em torno de um núcleo de verdade.

</div>Entre a Fidelidade e o Amor
Amar é ser fiel a quem nos trai, o Nelson Rodrigues é sempre sarcástico, ele coloca o dedo na nossa ferida, afinal, a fidelidade e os amores estão sempre em uma suposta guerra eterna.
Nunca vi uma definição de amor que seja mais forte, mais exigente e mais verdadeira. Um sentimento salvo de qualquer condicionalidade, salvo da armadilha da reciprocidade. Acredito que amar seja exatamente isto, uma lealdade incondicional, um comprometimento cego .
Estas são espécies de definições que tocam nossa alma. Afinal, em um contrato, quando acontece o descumprimento de uma das partes a outra fica automaticamente desobrigada de manter a sua. Amar é o reverso de tudo que julgamos normal ou natural, é a contestação de todas as convenções. É a sabotagem dos planos feitos para ninar nosso egoísmo, é uma inversão de valores. Uma luta contra os mecanismos de auto-sobrevivências que imperam por milênios na existência humana. Amar não é apenas ser fiel a alguém, é ser fiel a um sentimento, um sentimento que se personifica.
Amar é mesmo diante de alguns deslizes do outro, você não pensa em se vingar e não o humilhe com exigências de desculpas, é quando os erros dos outros não comprometem os projetos que fizeram juntos. Amar é compreender plenamente a Teoria Heliocêntrica de Copérnico, existe outra coisa em torno do o qual meu mundo gira. . Amar é não se resignar as limitações, porém sem que isto comprometa a admiração infinita que sem tem pelo outro.
Fidelidade e amor parecem ser palavras quase sinônimas para o Nelson, talvez mais, amor e verdade. Não posso discordar dele, acredito que toda verdade tem um núcleo de amor e todo amor pode ser tomado com um modelo atômico de milhares de afetos girando em torno de um núcleo de verdade.
é ser fiel a quem nos trai, o Nelson Rodrigues é sempre sarcástico, ele coloca o dedo na nossa ferida, afinal, a fidelidade e os amores estão sempre em uma suposta guerra eterna.
Nunca vi uma definição de amor que seja mais forte, mais exigente e mais verdadeira. Um sentimento salvo de qualquer condicionalidade, salvo da armadilha da reciprocidade. Acredito que amar seja exatamente isto, uma lealdade incondicional, um comprometimento cego .
Estas são espécies de definições que tocam nossa alma. Afinal, em um contrato, quando acontece o descumprimento de uma das partes a outra fica automaticamente desobrigada de manter a sua. Amar é o reverso de tudo que julgamos normal ou natural, é a contestação de todas as convenções. É a sabotagem dos planos feitos para ninar nosso egoísmo, é uma inversão de valores. Uma luta contra os mecanismos de auto-sobrevivências que imperam por milênios na existência humana. Amar não é apenas ser fiel a alguém, é ser fiel a um sentimento, um sentimento que se personifica.
Amar é mesmo diante de alguns deslizes do outro, você não pensa em se vingar e não o humilhe com exigências de desculpas, é quando os erros dos outros não comprometem os projetos que fizeram juntos. Amar é compreender plenamente a Teoria Heliocêntrica de Copérnico, existe outra coisa em torno do o qual meu mundo gira. . Amar é não se resignar as limitações, porém sem que isto comprometa a admiração infinita que sem tem pelo outro.
Fidelidade e amor parecem ser palavras quase sinônimas para o Nelson, talvez mais, amor e verdade. Não posso discordar dele, acredito que toda verdade tem um núcleo de amor e todo amor pode ser tomado com um modelo atômico de milhares de afetos girando em torno de um núcleo de verdadeEntre a Fidelidade e o Amor
Amar é ser fiel a quem nos trai, o Nelson Rodrigues é sempre sarcástico, ele coloca o dedo na nossa ferida, afinal, a fidelidade e os amores estão sempre em uma suposta guerra eterna.
Nunca vi uma definição de amor que seja mais forte, mais exigente e mais verdadeira. Um sentimento salvo de qualquer condicionalidade, salvo da armadilha da reciprocidade. Acredito que amar seja exatamente isto, uma lealdade incondicional, um comprometimento cego .
Estas são espécies de definições que tocam nossa alma. Afinal, em um contrato, quando acontece o descumprimento de uma das partes a outra fica automaticamente desobrigada de manter a sua. Amar é o reverso de tudo que julgamos normal ou natural, é a contestação de todas as convenções. É a sabotagem dos planos feitos para ninar nosso egoísmo, é uma inversão de valores. Uma luta contra os mecanismos de auto-sobrevivências que imperam por milênios na existência humana. Amar não é apenas ser fiel a alguém, é ser fiel a um sentimento, um sentimento que se personifica.
Amar é mesmo diante de alguns deslizes do outro, você não pensa em se vingar e não o humilhe com exigências de desculpas, é quando os erros dos outros não comprometem os projetos que fizeram juntos. Amar é compreender plenamente a Teoria Heliocêntrica de Copérnico, existe outra coisa em torno do o qual meu mundo gira. . Amar é não se resignar as limitações, porém sem que isto comprometa a admiração infinita que sem tem pelo outro.
Fidelidade e amor parecem ser palavras quase sinônimas para o Nelson, talvez mais, amor e verdade. Não posso discordar dele, acredito que toda verdade tem um núcleo de amor e todo amor pode ser tomado com um modelo atômico de milhares de afetos girando em torno de um núcleo de verdadeEntre a Fidelidade e o Amor
Amar é ser fiel a quem nos trai, o Nelson Rodrigues é sempre sarcástico, ele coloca o dedo na nossa ferida, afinal, a fidelidade e os amores estão sempre em uma suposta guerra eterna.
Nunca vi uma definição de amor que seja mais forte, mais exigente e mais verdadeira. Um sentimento salvo de qualquer condicionalidade, salvo da armadilha da reciprocidade. Acredito que amar seja exatamente isto, uma lealdade incondicional, um comprometimento cego .
Estas são espécies de definições que tocam nossa alma. Afinal, em um contrato, quando acontece o descumprimento de uma das partes a outra fica automaticamente desobrigada de manter a sua. Amar é o reverso de tudo que julgamos normal ou natural, é a contestação de todas as convenções. É a sabotagem dos planos feitos para ninar nosso egoísmo, é uma inversão de valores. Uma luta contra os mecanismos de auto-sobrevivências que imperam por milênios na existência humana. Amar não é apenas ser fiel a alguém, é ser fiel a um sentimento, um sentimento que se personifica.
Amar é mesmo diante de alguns deslizes do outro, você não pensa em se vingar e não o humilhe com exigências de desculpas, é quando os erros dos outros não comprometem os projetos que fizeram juntos. Amar é compreender plenamente a Teoria Heliocêntrica de Copérnico, existe outra coisa em torno do o qual meu mundo gira. . Amar é não se resignar as limitações, porém sem que isto comprometa a admiração infinita que sem tem pelo outro.
Fidelidade e amor parecem ser palavras quase sinônimas para o Nelson, talvez mais, amor e verdade. Não posso discordar dele, acredito que toda verdade tem um núcleo de amor e todo amor pode ser tomado com um modelo atômico de milhares de afetos girando em torno de um núcleo de verdade.
Entre a Fidelidade e o Amor
Amar é ser fiel a quem nos trai, o Nelson Rodrigues é sempre sarcástico, ele coloca o dedo na nossa ferida, afinal, a fidelidade e os amores estão sempre em uma suposta guerra eterna.
Nunca vi uma definição de amor que seja mais forte, mais exigente e mais verdadeira. Um sentimento salvo de qualquer condicionalidade, salvo da armadilha da reciprocidade. Acredito que amar seja exatamente isto, uma lealdade incondicional, um comprometimento cego .
Estas são espécies de definições que tocam nossa alma. Afinal, em um contrato, quando acontece o descumprimento de uma das partes a outra fica automaticamente desobrigada de manter a sua. Amar é o reverso de tudo que julgamos normal ou natural, é a contestação de todas as convenções. É a sabotagem dos planos feitos para ninar nosso egoísmo, é uma inversão de valores. Uma luta contra os mecanismos de auto-sobrevivências que imperam por milênios na existência humana. Amar não é apenas ser fiel a alguém, é ser fiel a um sentimento, um sentimento que se personifica.
Amar é mesmo diante de alguns deslizes do outro, você não pensa em se vingar e não o humilhe com exigências de desculpas, é quando os erros dos outros não comprometem os projetos que fizeram juntos. Amar é compreender plenamente a Teoria Heliocêntrica de Copérnico, existe outra coisa em torno do o qual meu mundo gira. . Amar é não se resignar as limitações, porém sem que isto comprometa a admiração infinita que sem tem pelo outro.
Fidelidade e amor parecem ser palavras quase sinônimas para o Nelson, talvez mais, amor e verdade. Não posso discordar dele, acredito que toda verdade tem um núcleo de amor e todo amor pode ser tomado com um modelo atômico de milhares de afetos girando em torno de um núcleo de verdade.

Continue lendo “Alguma impressão que tenho sobre o amor”

Entre as incertezas da verdade

Vivemos sob o reino das certezas, e é esse legado que a ciência moderna tem deixado sobre o mundo. Nunca soubemos mais sobre mundo do que42-20359308 sabemos agora. Sabemos de que elementos são constituídos todo e qualquer material encontrado no planeta, quantos anos tem o universo e que o mesmo está em expansão acelerada. Sabemos que existem 17 bilhões de insetos para cada pessoa. Mas, será que ser conhecedor de tudo isso realmente deve ser motivo de tanto orgulho.
Ora, as nossas certezas são currais onde as preocupações ficam presas. É que presas elas não oferecem perigo,  não saber é muito angustiante. Um turbilhão de questionamentos  inquieta nossa vida tão frágil. A que horas o ônibus vai passar? Eu aplico na bolsa ou compro imóveis? Fazemos uma viagem ou nos divorciamos?
Contudo, essa mesma certeza nos engessa, nos algema em eternas rotinas, afinal, por que mudar se desse modo tudo vai terminar bem? As certezas nos amaldiçoam ao criar padrões para o nosso cotidiano, fazendo da nossa vida uma equação matemática chata.
Saber, ter certezas, nos faz sentirmos seguros e nos ajudam a fazer planos. Certezas nos deixam navegar num oceano calmo livres das tempestades da dúvida. Certamente um homem cheio de certezas dorme bem melhor à noite, mas, um homem cercado de dúvidas vive bem melhor durante o dia.
Em 1927, Werner Heisenberg, o controverso físico alemão, talvez o maior depois de Einsten, postulou o “Princípio da Incerteza”, uma idéia segundo a qual é impossível medir simultaneamente e com precisão absoluta a posição e a velocidade de uma partícula, isto é, a determinação conjunta do momento e posição de uma partícula. Este princípio teve repercussão filosófica enorme, pois rompia com a idéia determinística de mundo e nos introduzia num mundo probabilístico, onde acontecimentos tinham apenas grandes possibilidades de se realizarem, mas, era impossível sermos envolvidos pela certeza. Heisenberg nos devolveu a emoção de viver. Nos colocou de novo no mesmo sentimento do homem das cavernas, nos trouxe de volta a vocação humana de navegarmos num mar de imprecisões e erros, nos chamou de volta ao nosso corpo o espírito do qual nos tornou o que somos, qual seja, um ser atormentado pelo imprevisível.
Ter dúvidas nos move, nos faz buscar soluções. Ter dúvidas faz criar caminhos. Duvidar faz a nossa vida miserável e monótona valer a pena. Quem tem dúvidas não se paralisa. Sócrates tinha horror a certezas, por isso sempre declarava que a única coisa que sabia e que não sabia nada. Não me estranha o oráculo de Delfos tê-lo declarado o mais sábio dos homens.
A dúvida nos premia com pureza de intenções, pois sem certezas o espírito julga sem pressões ou preconceitos. O Humberto Gessinger, líder e letrista da banda “Engenheiros do Hawaii” pensa de forma semelhante a minha, pois escreveu em uma das suas canções. ” Eu posso estar correndo pro lado errado, mas a dúvida é o preço da pureza e é inútil ter certeza.”
Termino este texto com muitas dúvidas sobre escrever mais sobre isto. Tenho uma certeza, a mesma de Descartes , o pai do método científico,  esse tipo de questionamento lhe assombrava. “A dúvida nos possibilitava um núcleo de certeza… Se duvido, penso”

Sobre as vantagens de se esquecer…..

Funes, o memorioso, é um personagem fantátisco de um conto de Borges. Ele tinha uma habilidade certamente incomum, era capaz de se lembrar de tudo o que experenciava sem se esquecer de nenhum detalhe. No conto Funes trata de enumerar as imensas vantagens que obtivera com esta sua impressionante capacidade de lembrar. As vantagens de se lembra são realmente muitas, mas, e as vantagens de se esquecer?
A memória se esquece aquilo que não lhe parece fundamental, é importante esquecer para não sobrecarregar a nossa consciência, lembrar-se de tudo seria uma tortura, seria trabalho extra, seria se sobrecarregar. Ja imaginou se fosse necessário se lembrar de respirar a todo momento, viveríamos eternamente encarregados de encher e esvaziar nossos pulmões, ao menos a problemática da nossa angustia existencial estaria resolvido. O sentido da vida seria basicamente respirar, mas, o corpo respira automaticamente e nos ficamos livres para fazermos o que quisermos. O que a consciência esquece o corpo faz com maestria, esquecer nos faz viajar com menos carga, mais leves, isto faz de nós pessoas descansadas e pessoas descansadas são mais felizes. O cansaço é como uma mosquinha que fica sobrevoando a nossa cama enquanto tentamos dormir, nos tira a paz.
Esquecer é uma tarefa do inconsciente, somos certamente incompetentes para esquecer, conscientemente não podemos escolher ao menos com facilidade esquecer, isto é tarefa da inconsciência. Não basta dizer quero esquecer isto, quanto mais fugimos de memórias supostamente falecidas mais o seu fantasma insiste em nos assombrar. Gostaria de esquecer a primeira vez que beijei a minha namorada, afinal, nunca mais saberei o gosto real do que foi nosso primeiro beijo, disso só carregarei lembranças, mas, as melhores lembraças dos nossos primeiros olhares não são nossos primeiros olhares. Sinto uma dor imensa de nunca reviver ao menos como experiência contreta todas as maravilhosas sensações que se passaram no primordio, não que o que se seguiu não foi bom, mas, não é a primeira vez. Nunca poderei passar no vestibular pela primeira vez, pois eu carrego a maldição de já tê-lo feito uma vez. Assisti um filme uma vez, “Como se fosse a primeira vez”era a historia de uma garota que sofrera um acidente de carro que lhe causou sequelas, ela não era capaz de memorizar nada do que acontecera no dia posterior ao acidente, dia do seu aniversário, assim todos os dias para sempre eram seu aniversário. Desse modo seu par romântico no filme tinha a sublime tarefa de conquistá-la cada dia como se fosse a primeira vez, o esquecimento eternizou sua primeira vez, esquecer nos protege da rotina.
Borges termina a narração do conto do memorioso com a seguinte consideração a respeito de Funes.
“Suspeito, contudo, que não era muito capaz de pensar. Pensar é esquecer diferenças, é generalizar, abstrair. No mundo abarrotado de Funes não havia senão detalhes, quase imediatos.”
Será precisa criar faculdades para aprender a desaprender, o Manoel Barros enxerga mais longe ele sabe que todos os caminhos levam a ignorância, o Murilo Mendes também faz a mesma pergunta. Não seria necessário no futuro criar faculdades para a ignorância?
Esquecer nos liberta, nos tira angustias, nos introduz no santuário da paz. A agonia de nos lembrarmos é imensa, embrar é reconhecer padrões, lembrar é prever repetições, lembrar é nos prendermos as algemas cíclicas do tempo. Acho que por isto que na velhice começamos a nos esquecer de muits coisas, na velhice nosso corpo fica sábia ele sabe que é preciso se concentrar naquilo que é importante “VIVER”.

O socorro da coisas que não existem

Que seria de nós sem o socorro das coisas que não existem?Com estas palavras fortes, o filósofo, escritor e poeta francês, Paul Válery acendeu uma lanterna de alerta dentro de mim, esse era um tipo de pensamento que até algum tempo me passou despercebido, havia o visto algumas vezes, mas, não havia percebido completamente seu sentido, idéias são assim mesmo, ficam sobrevoando as nossas cabeças tentando ser compreendidas.
As coisas inexistentes são uma espécie de anestesia natural da vida, elas servem para amenizar o nosso sentimento de impotência diante dos fatos, se de alguma maneira não conseguimos alcançar os objetivos não fou culpa nosso foi obra do acaso, ou de coisas que necessariamente não existem, aceitar que o sucesso de alguma coisa não depende exclusivamente de nós.
Ao mesmo tempo serve para encher de esperança a vida.Que seria da vida se não pudessemos acreditar no improvável. Afinal, tirando o impossível, aquilo que resta mesmo que improvável pode ser a verdade, acreditava Sherlock Holmes e eu concordo. Esperança é uma palavra bonita, deriva de espera. Esperar é exatamente o que fazemos quando não fazemos nada, é a resignação da açao. Que seria de nós sem o socorro das coisas que as vezes não acreditamos nelas, as vezes até mesmo os mais incrédulos se cercam de uma devoção sincera, esperam que o provável não aconteça e se opere um milagre. Dante na sua obra prima a Divina Comedia em um momento cunha uma frase espetacular, na porta do inferno o protagonista lê. “Deixe lá fora toda a esperança”Essa é a minha definiçao favorita de inferno “o lugar onde não existe esperança”. Qualquer momento da sua vida em que se encotrar sem esperança de alguma forma você está no inferno. Lembre-se sempre dessa frase. Curiosamente algumas pessoasdizem não acreditar no inferno, eu pelo contrário acredioto, quando olho para criaturas sem esperança, quem perdeu a esperança também perdeu a alma para a sorte. Então:
Que seria de nós sem o socorro das coisas que não existem?

Sobre mover e viver

Mover-se é uma prerrogativa de quem está vivo, digo isto pois, diante de algum acontecimento que atente a vida torna-se latente esta afirmação, basta que se verifique “veja se mexendo, está vivo”. Aquilo que não se mexe pode ser considerado como morto. Mover-se e declarar-se vivo.

Eu tenho dificuldades as vezes de encarar as plantas como “seres vivos” poderia dizer que são seres que têm vida, mas, estar vivo e um pouco mais do que isto, elas ficam ali, paradas, estáticas e só se movem ao balanço do vento ou em alguma ação que basicamente não são delas, não digo isto das plantas carnívoras claro, aquelas que estão sempre prontas para abocanhar a presa. As plantas só me dão a sensação dessa sua vitalidade quando morrem, quando se passa por um local onde existia uma árvore e se pensa ela não esta mais ali, se moveu, era viva. Isso me intriga, os únicos sinas de vida de seres inertes é a própria morte.
O grande cientista inglês Sir Isaac Newton, pai da mecânica clássica definiu muitos dos critérios do que nos poderíamos classificar como movimento, mas de tudo que ele disse eu prefiro destacar o que podemos chamar de lei da inércia.

“Todo corpo continua em seu estado de repouso ou de movimento uniforme em uma linha reta, a menos que seja forçado a mudar aquele estado por forças imprimidas sobre ele.”

Vida para mim é isto imprimir força sobre os acontecimentos, não deixar que eles sejam como são, transformá-los na medida do nosso alcance, de modo que eles nos pareçam mais adequados, nós temos que nos cansarmos de descansar. Tomar nosso lugar no palco da vida ao invés de ficar aguardando nos bastidores. Existe muita diferença entre viver e se manter vivo. Mario Quintana dizia: Morrer “que me importa, o diabo e deixar de viver”.

Eu penso com o Fernando Pessoa, sobre quem se toma esta postura passiva em relação a sua vida, “Foi espectro de homem, não foi homem, só passou pela vida não viveu”.