Professor Júnior

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    • Dálete 6ª B comentou: Professor, eu amei isso! Estou louca para chegar de viagem e contar ao senhor os testes que eu...
    • Francis comentou: Ótimo texto Júnior! Muita clareza e simplicidade ao se expressar. Grande Abraço!

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    “Às folhas tantas do livro de matemática,42-17720056
    um quociente apaixonou-se
    um dia doidamente por uma incógnita.
    Olhou-a com seu olhar inumerável e
    viu-a, do ápice à base.
    Uma figura ímpar olhos rombóides,
    boca trapezóide,
    corpo ortogonal, seios esferóides.

    Fez da sua uma vida paralela a
    dela até que se encontraram no infinito.
    “Quem és tu?” – indagou ele com ânsia radical.
    “Eu sou a soma dos quadrados dos catetos,
    mas pode me chamar de hipotenusa”.

    E de falarem descobriram que eram
    o que, em aritmética, corresponde a almas irmãs,
    primos entre-si.
    E assim se amaram ao quadrado
    da velocidade da luz
    numa sexta potenciação traçando
    ao sabor do momento e da paixão retas,
    curvas, círculos e linhas senoidais.
    Nos jardins da quarta dimensão,
    escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidianas
    e os exegetas do universo finito.

    Romperam convenções Newtonianas e Pitagóricas e, enfim,
    resolveram se casar, constituir um lar mais que um lar,
    uma perpendicular.
    Convidaram os padrinhos:
    o poliedro e a bissetriz, e fizeram os planos,
    equações e diagramas para o futuro,
    sonhando com uma felicicdade integral e diferencial.

    E se casaram e tiveram uma
    secante e três cones muito engraçadinhos
    e foram felizes até aquele dia em que tudo, afinal, vira monotonia.
    Foi então que surgiu o máximo divisor comum,
    frequentador de círculos concêntricos viciosos,
    ofereceu-lhe,a ela, uma grandeza absoluta
    e reduziu-a a um denominador comum.

    Ele, quociente percebeu que com ela
    não formava mais um todo, uma unidade.
    Era o triângulo tanto chamado amoroso desse problema,
    ele era a fração mais ordinária.
    Mas foi então que Einstein descobriu a relatividade
    e tudo que era espúrio passou a ser moralidade,
    como, aliás, em qualquer Sociedade …”

    Millôr Fernandes





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